LINHA VERMELHA

Inês Bonduki
Texto: Marcelo Segreto

Ilustração: Tati Tatit


Formato: 17x17 cm, 88 páginas

Editora Tempo d'Imagem, 2017

ISBN: 978-85-87314-51-2


Prêmio Foto em Pauta 2016

Prêmio Conrado Wessel 2015 (3o lugar)






As cidades são um dos temas mais fascinantes da fotografia desde o momento decisivo de sua invenção há quase 2 séculos pelo francês Joseph Nicéphore Nièpce. E, nos dias de hoje, passado tanto tempo, o interesse que ela desperta não se esgota, pelo contrário, torna-se cada vez maior. Não é para menos, principalmente para quem vive em uma megalópole como São Paulo.

E é nesta direção que Inês Bonduki dirige seu olhar sensível e perscrutador ao abordar um dos aspectos mais importantes de uma cidade indomável como São Paulo. A mobilidade urbana, seja a pé, de bicicleta, em transporte individual ou coletivo é um tema a ser discutido em seus mais diversos aspectos. E Inês, ao se distanciar da abordagem óbvia e literal das longas viagens de metrô, nos revela, ao articular imagens de dança e de passageiros do próprio metrô, um inédito e surpreendente retrato do comportamento humano.

Em um momento em que a fotografia se aproxima das novas tendências da arte conceitual e ameaça se afastar da observação da vida como ela é’, Inês se debruça em seu Linha Vermelhasobre um tema concreto e dos mais relevantes de uma metrópole com a força reveladora que somente a fotografia pode proporcionar.


Cristiano Mascaro, fotógrafo e arquiteto (2015)

Espaço das Artes, São Paulo, 2016

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Espaço das Artes, São Paulo, 2016

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Espaço das Artes, São Paulo, 2016

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"Fiquei surpreso quando vi, nas fotos de Inês Bonduki, detalhes de corpos de quem viaja de Metrô nos horários de pico da linha mais congestionada de São Paulo. Encontrei ali uma proximidade terna entre os corpos que se contrapõe ao que de fato ocorre quando milhares de alguéns são obrigados a viajar horas no percurso casa-trabalho-casa em condições de uma proximidade tal que só seria possível em situações de profunda intimidade. Em contraponto ao que ocorre de fato, encontro o desejo de ternura no olhar desta fotógrafa. Seu desejo, ou utopia, de um mundo melhor já ocorre nestas suas fotos. E quando registra corpos jovens que dançam, encontro o olhar de dúvida da jovem Inês a se perguntar o que todas as gerações se perguntam: O que somos? Para onde vamos? Para quê dançamos? 

Nas primeiras fotos a presença do que há terno na ausência da ternura e nas segundas, a presença da dúvida em corpos que esboçam a certeza. 

Será que o que disse está nas fotos de Inês Boduki ou em meu olhar? Mas cabe lembrar que múltiplas leituras só se dão quando estamos, de fato, diante da Arte. Fato que não deixa dúvida em contato com esta Linha Vermelha. Aqui a fotografia escapa do mero registro e nos devolve duas constantes das inquietações humanas: ternura, dúvida e... muitas outras que surgirão dos próximos contatos com estas fotos que registram, antes de tudo, corpos em contato." 


SiLvio Dworecki, artista e curador (set, 2015)

Exposição na Visual Studies Workshop, Rochester, NY, 2015

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"Entre 2013 e 2015, estive dedicada a ir e voltar incontáveis vezes na Linha Vermelha do Metrô de São Paulo em seus horários de pico, para vivenciar e tentar fotografar a intensidade corporal e emocional dessa experiência cotidiana de 3 milhões de paulistanos.

Ao mesmo tempo, registrei as também intensas jams de dança em São Paulo (Contato Improvisação), em que a interação corporal se dá de forma expansiva e a partir da escuta sensível do outro.
Ao associar essas duas realidades na edição do livro 'Linha Vermelha', percebi que elas se aproximavam e se misturavam, tornando-se quase a mesma. Realidades opostas e complementares que viabilizaram a construção de um discurso visual que não se dá em uma ou outra, mas entre as duas."





Linha Vermelha articula dois ensaios fotográficos de realidades à princípio distantes: o interior de vagões do metrô de São Paulo (2013-15) e jams sessions de dança (Contato Improvisação, SP, 2014), de forma a ressaltar um aspecto que os relaciona: a proximidade dos corpos e uma intensa experiência de toque.


O título refere-se à mais longa linha de metrô de São Paulo, que transporta 3 milhões de pessoas todos os dias da periferia para as regiões mais centrais da cidade. Essas pessoas perdem de 2 a 3 horas diárias no deslocamento casa-trabalho-casa. A maioria das imagens foi produzida com um celular nas horas de lotação mais críticas dessa linha. Além de explicitar questões político-sociais, em Linha Vermelha a intenção é de observar a natureza corporal e sensível da experiência urbana. Nesse sentido, as imagens de dança Contato Improvisação articulam-se com as imagens do metrô explicitando naturezas opostas de corporeidade.


O Contato Improvisação, uma dança criada na década de 70 nos Estados Unidos e difundida pelo Brasil a partir da década de 90, opõe-se à idéia de coreografia e fundamenta-se na construção de um movimento de improviso entre duas ou mais pessoas, pautado na consciência corporal e na escuta do outro. O diálogo da dança se estabelece através de técnicas de troca de peso mas também princípios de jogo.

Em ambas as situações vemos imagens de corpos que se tocam: no vagão do metrô, o toque involuntário dos corpos revela tensão no espaço entre eles, já que o desejo é de afastamento; entre os dançarinos de Contato Improvisação, um espaço macio, com intenção de aproximação, diálogo e aprendizado sensível.

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