projeto em desenvolvimento 

em parceria com Yukie Hori



O que une duas imagens? O lugar em que foram tiradas, o olhar de seu autor, a forma, a cor, o conteúdo, a intencionalidade?


Quando encontramos duas imagens lado a lado no ponto de ônibus ou numa página da internet, o que elas nos dizem? 


Quais os sentidos do gesto de justapor conscientemente duas imagens e de duas imagens unidas ao acaso?


‘de noite penso no dia, de dia penso na noite’ compõe-se por imagens produzidas ao mesmo tempo em São Paulo e Tóquio. Duas cidades opostas – enquanto em São Paulo é dia e inverno, em Tóquio é noite e verão – e também próximas – há 110 anos chegava ao porto de Santos o Kasato Maru, primeiro navio de imigração japonesa, marcando o início de um ciclo que transformaria São Paulo na cidade mais japonesa fora do Japão.


O projeto que vem sendo desenvolvido desde fevereiro, tem como procedimento fotografar e obter diariamente pelo menos duas imagens de cada lugar: uma tirada de dia e outra de noite. Os dípticos formados são compostos pela dicotomia noite/dia, de forma a que as imagens de duas localidades geograficamente opostas e de duas autoras se misturem e entrecruzem organicamente.


Durante esse processo, perceberam-se ocorrências peculiares, horas, dias mais inspirados que foram incorporados ao projeto como espaços para ensaios curtos que rompem o ritmo marcado pelas justaposições dicotômicas.


Por serem produzidas todos os dias, as imagens de ‘de noite penso no dia, de dia penso na noite’ são cotidianas, contingentes, temporais, eventualmente, surpreendentes ou ausentes, tal como é a vida. A potência do trabalho não está na busca das grandes imagens do fotógrafo-artífice mas no encontro de dois cotidianos, dois espaços, dois tempos, duas luzes, dois olhares, que hora se aproximam e hora se distanciam.


O conceito de edição deste projeto é menos pensado como uma união de imagens sequenciadas e encerradas em um sentido comum, mas como um processo que acolhe os significados possíveis da união imprevista de duas ou mais fotografias aparentemente desconexas, permitindo um conjunto de imagens de narrativa aberta e em constante construção. 

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